domingo, 31 de maio de 2015

Por que vistar a exposição de Fernando Priamo hoje, 31/5



           Fernando Priamo


     Fernando Priamo expõe, somente hoje, 31/5, na Praça Antonio Carlos, junto ao CCBM, sua  mostra "Retratos de Auschwitz -  A arte em busca da paz", que esteve em cartaz no FOTO 13.

     É uma oportunidade de falar dela, o que ficamos devendo na época.


     Fernando visitou e fotografou Auschwitz. Até aí nada de novo, turistas aos milhares vão lá. Em depoimento na época do FOTO 13, ele mesmo destacou que sabia que as imagens já foram muito vistas, e que o objetivo era trazer uma reflexão sobre a paz.

     "Hoje ainda temos muita violência. Auschwitz é uma ferida que nunca vai cicatrizar. Não pode. No dia em que esquecermos aquilo, vai voltar." 

     O depoimento de Priamo é forte, assim como as imagens. Não é uma exposição que se veja facilmente, ou logo depois de uma refeição. Além dos prédios do campo de concentração nazista para judeus, que hoje é um monumento ao Holocausto, foram feitas também fotos do museu que há no local, que mostra o que era feito com utensílios como os óculos das pessoas, sapatos e mais coisas. Relatar aqui já não é tarefa das mais agradáveis.

     Ver a mostra, menos ainda. Foi das poucas vezes em que uma obra de arte me causou tamanho efeito. Senti algo parecido ao ver o painel "Guernica", de Picasso, na Espanha, também com imensa carga histórica, e do mesmo período. A mostra, portanto, cumpre plenamente seu objetivo de transmitir uma realidade, um tempo, fatos ocorridos e a grande dor associada. Acabo de assistir a uma palestra online de Carlos Alberto Romanelli em que ele fala de um certo impacto, incômodo que a foto deve provocar no espectador. Estas de Priamo são exatamente isto, levado a um extremo.

    O autor relata que foram mais de duas mil tomadas, das quais selecionou 43 imagens para a mostra. "Eu chorava ao fotografar. Saí outro fotógrafo desta experiência, foi o meu trabalho mais duro."

     Conhecer Auschwitz e sua realidade é mais que necessário, é uma obrigação da humanidade para reparar aquilo e evitar para sempre. Se não é possível ir pessoalmente, a exposição de Priamo é a alternativa mais próxima, creio.




          Aelson Amaral

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A exposição em 2013 teve ainda elementos cenográficos: 
as fotos eram expostas atrás de arame farpado