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Castelinho dos Bracher
Castelinho dos Bracher
Se você já visitou a exposição "Dispositivos de Esquecimento", de Letícia Vitral, como reagiu ao se deparar
com ela? Evidentemente, Letícia tinha feito desaparecer das fotos
alguns prédios tradicionais de JF, transformando-os em "fantasmas" (bem,
"fantasmas" em fotos também eram tema de outra exposição do FOTO 13).
Mas a reação mais comum que vimos foi de pessoas achando que, claro,
isto só poderia ter sido feito com Photoshop!
Em sua fala no encontro de fotógrafos e curadores, no dia da abertura do FOTO 13, Letícia destacou que faz fotografia de arquitetura, e a interessante experiência que é a de transpor espaços tridimensionais para um bidimensional - a fotografia.
Em sua fala no encontro de fotógrafos e curadores, no dia da abertura do FOTO 13, Letícia destacou que faz fotografia de arquitetura, e a interessante experiência que é a de transpor espaços tridimensionais para um bidimensional - a fotografia.
De
fato, para quem acompanha o trabalho de Letícia há algum tempo, a
abordagem da arquitetura vem se mostrando. Mas há uma vertente de
fotografia de arquitetura que privilegia a edificação em si, ou seus
detalhes. Alguns outros encontram nos detalhes arquitetônicos motivos
para temas geométricos, como "Geometria Urbana". Letícia já fez
registros fotográficos de arquitetura mais tradicionais, (como seu
trabalho para o FOTO 12, "Que venham a Berlim"), embora com um
enfoque específico. Mas também vem explorando uma linha em que, além do
registro, há uma intervenção na imagem, do que resulta o trabalho final.
Como em uma imagem a partir do Portal de Brandenburgo (veja aqui). Estas intervenções vinham de recursos clássicos como múltiplas exposições, mas ainda no terreno fotográfico.
![]() |
Associação Beneficente e Cultural
Anita Garibaldi |
No
trabalho atual, Letícia avança um pouco mais, em outra direção, a da
intervenção física sobre a imagem. Assim, a partir de fotografias da
cidade em que os prédios históricos aparecem, bordou, literalmente, com linha, a imagem em branco que os faz desaparecer, embora ainda permaneçam identificáveis. Nada de Photoshop,
portanto! A concepção do projeto é brilhante, o trabalho é primoroso, o
bordado certamente foi exigentíssimo. E o resultado, além de muito interessante
e provocador do ponto de vista da fotografia, ainda provoca também
outras discussões no campo do patrimônio arquitetônico da cidade.
Justamente
nos dias em torno da abertura do FOTO 13, conversávamos com um ótimo
fotógrafo amador de JF, dos tempos do filme, que dizia estar lendo sobre
fotografia contemporânea com o intuito de tentar entender as linguagens
atuais e responder à pergunta "Até onde é fotografia e a partir de onde
passa a ser outro tipo de arte?" De fato, uma questão interessante, que
parecia até provocada pela exposição de Letícia, embora não o fosse.
Falamos com Letícia desta conversa e de como seria interessante promover
um encontro dos dois para uma discussão do tema!
Mas passamos agora a palavra à própria Letícia, que sempre apresenta muito bem seus trabalhos.
É possível tratar o patrimônio material de uma cidade como uma expressão física de memórias individuais e coletivas daqueles que a habitam, capaz de negociar a identidade de um grupo de pessoas em determinado convívio social. O patrimônio fortalece a relação dos habitantes com seu lugar de pertencimento: possibilita que visões de mundo e comportamentos plurais, divergentes e contraditórios se encontrem e compartilhem referenciais em comum. Garante aos cidadãos origens, e direciona recomeços.
“Dispositivos de Esquecimento” se constrói de tensões e contradições: da cidade contemporânea com seu passado, da instantaneidade do ato fotográfico com a artesania do bordado, do branco silencioso com o ruído agitado de seu contexto espacial. Auxiliada pelo enquadramento que prioriza o ponto de vista dos passantes, a apreensão imagética de edifícios históricos ‘anulados’ pelo bordado requer do espectador a memória de cada um deles como um fenômeno da experiência cotidiana da cidade. Memória que inadvertidamente se volta à condição periférica e função marginal dos edifícios antigos na Juiz de Fora contemporânea.
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Villa Iracema
Villa Iracema
Além desta exposição no CCBM, que foi uma das contempladas no II Prêmio Funalfa de Fotografia, Letícia
participa do FOTO 13 no âmbito do Foto 120. E tem desenvolvido
trabalhos sempre muito interessantes e de qualidade, que o JF em Foco tem tido o privilégio
de acompanhar. Para ver uma boa cobertura do que Letícia vem fazendo há
algum tempo, clique aqui ou no marcador Letícia Vitral ao final da matéria.
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No Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM)
FOTO 13 - 13 de agosto a 13 de setembro
Terça a sexta-feira, de 9h às 21h. Sábados e domingos, de 10h às 16h
Av. Getúlio Vargas, 200 (Centro)
3690-7051 / 3690-7052
FOTO 13 - 13 de agosto a 13 de setembro
Terça a sexta-feira, de 9h às 21h. Sábados e domingos, de 10h às 16h
Av. Getúlio Vargas, 200 (Centro)
3690-7051 / 3690-7052

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Quem é quem no FOTO 13
Veja toda a cobertura do Foto 13 pelo JF em Foco
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